
Ontem de manhã, pouco antes do almoço, estava mudando de canal e deixei um pouco na Band, onde estava passando um jogo do Campeonato Italiano, Milan x Livorno. Jogo comum, em que o principal destaque era a estréia do Ronaldo no ataque do time milanês. Mas nesse jogo tão típico, o que me chamou a atenção foi uma propaganda, em amarelo e preto, de um site, o bwin: um site de apostas.
Hoje cedo, antes do meu primeiro dia de aula na faculdade, resolvi deixar um pouco na Globo, que estava passando o Bom Dia São Paulo. Uma das matérias do telejornal foi com o torcedor do São Paulo, morador de Ribeirão Preto, que viajou 600km no final de 2005 para assistir a Corinthians e São Paulo. Nada de mais, se não fosse o fato dele ter sido indenizado em mais de 2000 reais porque o jogo foi anulado, pois o árbitro da partida participava de uma rede que negociava resultados de partidas de futebol, na chamada "máfia do apito". Adivinhem quem estavam envolvidos? Sites de apostas!
Sabem aquele Milan que eu citei ali em cima? Ele e alguns outros clubes da Itália, como a Juventus e a Lazio, foram punidas com perda de pontos (e até rebaixamento) porque, na temporada 2005/2006 eles se envolveram com um esquema de manipulação de partidas, vendendo os resultados para... adivinhem! Um site de apostas!
Não é minha intenção culpar essas empresas, esses sites que agenciam apostas dessas manipulações e vendas de resultados que tanto contaminam o futebol mundial. Na verdade, a maior responsabilidade está nas mãos dos atletas, clubes e cartolas, diretamente envolvidos no espetáculo, que tanto o estragam. Todavia, não acho natural e nem benéfico ao futebol que algumas das grandes ligas do futebol europeu, o mais rico do mundo, sejam patrocinadas e até mesmo levem o nome dessas casas de aposta, como é o caso da Liga Inglesa (Barclay`s Premiership) e da bwin, em Portugal. Vários grandes clubes europeus também vendem os espaços em seus uniformes para esses site.
Transformam o futebol em um grande cassino, que enche os cofres dos clubes e das ligas, movimentando bilhões de dólares e euros, mas a que custo? Pois, não vejo muita dificuldade em uma bwin, patrocinadora da Liga Portuguesa e dos três maiores clubes do país, vender jogos, resultados, comprar técnicos e jogadores e quem sabe até o campeonato! Quem pode impedi-los? A Federação de futebol, que não tem nenhuma autoridade sobre a liga? Os clubes, que dependem do dinheiro das apostas para se manterem? Não sei qual seria a melhor solução para isso. Quem sabe, proibir esse tipo de patrocínio. Mas não dá para esperar uma decisão desse tipo da FIFA, entidade muito mais política do que futebolística. A justiça e a legislação de cada país vão ter que regulamentar muito bem essas relações negociais, para evitar o que aconteceu no Brasil, na Itália e na Alemanha - onde um juiz foi preso por vender resultados! Não há muito o que nós, fãs e torcedores, fazermos, a não ser abrir bem o olho quando o seu time faz contratos milionários (não só com casas de aposta!) ou quando um campeonato parece chamar muito mais a atenção de um apostador do que de um torcedor, pois estamos muito perto do esporte mais popular do planeta se tornar um cassino de cartas marcadas e dados viciados!












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