domingo, 1 de julho de 2007

Teste para a memória

comput
Acredito que todos que acessem diariamente a internet sofram de uma doença moderna chamada "excesso de informação". É sério! Há uns minutinhos atrás fui tentar algo que me parecia simples, que não exigiria muito além da capacidade de meus dois preguiçosos neurônios: acessar o meu blog! Acho que digitei uma dezena de vezes meus dois e-mails que uso diariamente, junto com uma série de senhas que utilizo constantemente em meus cadastros e não conseguia acessar!
O pior é que o Google ainda me chama de burro, dizendo que o meu e-mail não existe!!! Continuei o meu embate com o tal portal de "buscas" (faz tempo que o Google não é só um portal de buscas!) e encontrei um link que a maioria dos usuários de computador teimam em não utilizar: "Ajuda". Procurei um link que se encaixasse em meu problema e adivinhem: está fora do ar! Por fim, precisei usar aquele link que atesta a estupidez do internauta escrito "Esqueci minha senha" (lá substituído por um discreto "?"! Obrigado Google!). Agora, enquanto escrevo este texto no Bloco de Notas do Windows, para aproveitar a inspiração, recebi um e-mail (naquele meu e-mail que não existe!) do Suporte do portal informando meus dados cadastrais.
É nessas horas que eu penso: sou eu que sou burro e tenho memória curta ou a internet e o dinamismo das informações que nos exige demais? As duas respostas estariam corretas, mas acredito que a segunda é a que melhor se encaixe. Sou um cara de 19 anos (quase 20), tenho computador desde 1997 (o 286 não conta), acesso a internet desde 1998 e descobri as maravilhas da banda larga em 2001. Tenho 3 e-mails em uso, já tive outros 5, recebo em média 7 spams por dia, estou no meu terceiro endereço de MSN, tenho dois Orkuts, um Gazzag, um outro site de relacionamento que não me lembro o nome, uso dois browsers, acesso diariamente pelo menos 13 blogs, possuo 30 senhas cadastradas apenas no Firefox deste computador (no outro esse número passa tranqüilamente de 50)... ufa! E olha que minha média de uso de internet com fins não-acadêmicos/profissionais é de uma hora diária, no máximo duas (já foi maior). É humanamente possível guardar todas essas informações?
 tendência é que os novos usuários tenham mais facilidade em lidar com a velocidade da internet, mas com o passar do tempo, acredito que ficaremos cada vez mais e mais dependentes não de nossa memória, mas dos já inúmeros softwares que cadastram as senhas, aquelas boxes marcadas no "Lembrar minha senha", recursos de autocompletar, ou links com o tal e-mail com os dados cadastrais. Somos vítimas de uma memória preguiçosa, que não precisa trabalhar: pra que decorar minha senha se é só pedir para me enviar depois? Por que pensar em uma série de palavras-chave se o Google ou Yahoo completa para mim? Por que decorar um aniversário se o Orkut me avisa umas semanas antes? Não há mais a necessidade de digitarmos aquelas longuíssimas linhas de comandos do antigo DOS e nem anotarmos em nossas antiquadas agendas o que temos que lembrar: o nosso computador nos lembra!
Sou alvo dessa crítica que escrevo. Quem me conhece sabe que não tenho uma memória primorosa. Tenho um mural no meu quarto em que fixo as coisas importantes que tenho que fazer. Quando é algo urgente, tenho a mania de escrever nas costas da mão, para não esquecer! Acho que é por esse motivo que devemos estar sempre exercitando nossa memória, sempre nos esforçando ao máximo para que consigamos lembrar de coisas úteis ou não, para que não sejamos uma vítima dessa máquina a minha frente e do mundo virtual. Leitura, letras de música e escrita são boas formas de se exercitar nossa atrofiada massa cefálica. Vejo muitos amigos esquecerem da grafia correta de se escreverem algumas palavras de tanto utilizarem abreviações em chats ou serviços de mensagem instantânea (aka MSN). Eu tento me utilizar de uma escrita, ainda que coloquial, correta, sem preguiça, escrevendo acentos, palavras completas, pontuação, seja no blog (como vocês podem ler), seja nos meus e-mails ou no MSN.
Fica aqui a minha opinião e sugestão: não se tornem reféns de todas essas facilidades que a internet nos trás! Por mais que todos nós, sem exceção, sejamos reféns daquele tal "excesso de informação", devemos valorizar e fazer bom uso de nossos cérebro e memória. Por mais que ela nos traia, ela nos acompanhará sempre, para sempre e em todo lugar!

PS.: o Google ainda vai dominar o mundo!

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