
Já faz algum tempo que não posto nada sobre poesia. Destaco neste post uma poetisa não muito conhecida aqui na terra brasilis, mas extremamente conhecida no além-mar, que engrandece a nossa maravilhosa língua: Florbela Espanca. Tive a felicidade de conhecer seus maravilhosos sonetos há alguns poucos anos e até fiz questão de comprar um pequeno livro com seus principais escritos, que encantam e emocionam este singelo leitor e apreciador literário que vos escreve.
Essa portuguesa do Alentejo nasceu nos idos de 1894 teve uma vida refleta de sofrimento e dor, diretamente refletido em seus poemas recheados de amargura, amor, paixão e solidão, desolusão amorosa e tristeza. É talvez a maior expoente feminina da poesia de nossa língua, tem espaço reservado em minha estante e entre meus autores favoritos.
Não escreverei mais, pois a melhor forma de descrever um artista é através de sua arte.
Essa portuguesa do Alentejo nasceu nos idos de 1894 teve uma vida refleta de sofrimento e dor, diretamente refletido em seus poemas recheados de amargura, amor, paixão e solidão, desolusão amorosa e tristeza. É talvez a maior expoente feminina da poesia de nossa língua, tem espaço reservado em minha estante e entre meus autores favoritos.
Não escreverei mais, pois a melhor forma de descrever um artista é através de sua arte.
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Esfinge
Sou filha da charneca erma e selvagem:
Os giestais, por entre os rosmaninhos,
Abrindo os olhos de oiro, pelos caminhos,
Desta minh'alma ardente são a imagem.
E ansiosa desejo - ó vã miragem -
Que tu e eu, em beijos e carinhos,
Eu a Charneca, e tu o Sol, sozinhos,
Fôssemos um pedaço da paisagem!
E à noite, à hora doce da ansiedade,
Ouviria da boca do luar
O De Profundis triste da Saudade...
E, à tua espera, enquanto o mundo dorme,
Ficaria, olhos quietos, a cismar...
Esfinge olhando, na planície enorme...
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