domingo, 11 de março de 2007

Poesia - E rir meu riso e derramar meu pranto

vinicius
Sou um apreciador de poesias, adoro Camões, Bocage, Florbela Espanca, Drummond. Mais do que poesias, sou apaixonado por música, de todo o tipo, de qualquer época, sem preconceito. O artista que para mim melhor reuniu essas duas paixões em uma arte maravilhosa foi Vinicius de Moraes. Grande escritor de prosas, poesias, sambas, músicas infantis, Vinicius transportou sua alma romântica e ao mesmo tempo triste, infantil e as vezes sombria, para letras emolduradas por melodias suaves, de samba, jazz e bossa nova. Hoje a tarde estive a ouvir um álbum do clássico show dele com seu eterno parceiro, Toquinho, do gênio, Tom Jobim, e de Miúcha. Todavia, me veio a cabeça um dos sonetos mais belos que já li, comparável até aos já citados Bocage e Camões. Como homenagem à um dos meus artistas e poetas preferidos, transcrevo-o abaixo.

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Para quem se interessar pela vida e obra de Vinicius de Moraes, recomendo seu site oficial, que reúne todo acervo desse maravilhoso poeta.

Alessandro Zanardi

zanardi
Depois de quase duas semanas sem inspiração e com poucos assuntos que realmente me interessam, nesse fim de semana vi uma foto que me chamou muito a atenção. Sou um grande fã de Fórmula 1, acompanho há pelo menos uns 13 anos, assisto quase todas as corridas da temporada (luto contra o sono para ver as que ocorrem na nossa madrugada) e de um ano pra cá leio diariamente o blog do Fábio Seixas, jornalista que escreve sobre automobilismo na Folha de São Paulo. Lendo este blog na última sexta-feira vi uma foto maravilhosa, que me emocionou muito: uma foto do italiano Alessandro Zanardi. Para um país que tradicionalmente sempre valorizou muito mais a Fórmula 1 em relação às outras categorias automobilísticas (me incluo nessa!), esse nome deve ser até um pouco desconhecido. Já para quem conhece um pouco além do circo da F1, Zanardi é sinônimo de competência, simpatia e, acima de tudo, luta! Mas o que essa foto tem de mais?
A fotografia que tanto chamou a atenção daquele repórter e deste blogueiro é de 30 de outubro de 2001, 45 dias após Alessandro Zanardi sofrer um gravíssimo acidente, que lhe custou as duas pernas. Nela vemos um Zanardi tranqüilo, sereno, feliz, arrisco dizer, saindo do hospital onde fora realizada a cirurgia, Berlim, na Alemanha, deslizando com sua cadeira de rodas pelo amplo corredor. Ele, que sofrera aquele grave acidente realizando o que mais ama, a sua vocação, paixão e profissão, pilotando a alta velocidade um carro de corrida (no caso, em uma etapa da Champ Car, na Alemanha), correndo o risco de nunca mais pilotar profissionalmente, parecia nem se importar com tamanha adversidade que estava passando, feliz pelo simples fato de estar vivo e pronto para continuar a ser feliz! É quase impossível não nos colocarmos no lugar dele, no que ele deve ter sentido ao ouvir a triste notícia de que suas pernas tiveram de ser amputadas. Como reagiríamos? Provavelmente entraríamos em desespero, sofreríamos, alguns até desejariam morrer. Muitos reagem assim ou até pior quando se confrontam a problemas pequenos, do dia a dia, a provações que todos nós passamos. Lá estava Alex Zanardi, feliz, como escreveu Fábio Seixas, "com o sorriso mais aberto do mundo"!
Vocês sabem o que Alessandro Zanardi está fazendo hoje em dia? Pilotando! No último final de semana ele esteve em Curitiba, participando da primeira etapa do WTCC, o mundial de carros de turismo da FIA. O heróico Zanardi foi sétimo na primeira corrida e sexto na segunda.
Estou torcendo para que ele volte a comemorar vitórias, com aqueles inesquecíveis 360 graus, queimando o asfalto, que o imortalizaram na Indy/Champ Car!

alexzanardi

Filme - Os Infiltrados (The Departed)

Os Infiltrados
Ontem finalmente assisti ao filme Os Infiltrados! Depois de duas tentativas frustradas, que resultaram em longos cochilos, conclui as quase duas horas e meia de bom suspense policial. Ato contínuo, me vem a cabeça aquelas perguntas que se sucederam há festa da Academia há duas semanas atrás: "Os Infiltrados mereceu ganhar todos aqueles prêmios?". Conto nos dedos de uma mão os filmes que concorreram aos Oscar que eu tive a oportunidade de assistir, mas com absoluta certeza, houve um pouco de exagero da Academia nas premiações a este filme. Como diria Jack, O Estripador: vamos por partes!
Primeiro: que raio foi aquela indicação de Melhor Ator Coadjuvante para o Mark Whalberg? Tudo bem, a atuação do cara foi boa, ele realmente convenção como tira-durão-e-honesto, mas ele quase nem aparece no filme! Só aparece para xingar e desferir uns sopapos no Matt Dammon e no DiCaprio (que inveja!)!
Segundo: melhor roteiro adaptado? Mas pera aí! Esse filme não foi uma refilmagem de um filme chinês? Estão premiando ele ou o roteirista oriental? Concordo que o roteiro é excepcional, tanto em relação aos diálogos, quanto à genial história de dois jovens, um que se infiltra na polícia estadual de Boston e começa a levar uma vida tranqüila, e outro, um policial que finge ser um dos capangas do mafioso, Frank Costello, mas acho um pouco estranho premiar com esse Oscar uma refilmagem.
Terceiro: por mais que o Scorcese só tenha ganho o Oscar pelo "conjunto da obra", e não por este filme em particular, acredito que este prêmio tenha sido realmente merecido! Tirou tudo dos atores, tanto dos jovens, quanto dos experientes e conduziu muito bem o filme. No início ele até dá uns deslizes, relembrando o fraco Gangues de Nova Iorque, no qual ele compromete o bom andamento do filme com cortes repentinos e uma avalanche de nomes e informações, deixando o espectador bem atrapalhado. Mas depois de meia hora, o filme realmente embala e fica difícil parar de assistir!
Quarto: o prêmio de melhor filme é quase sempre o menos esperado, e com Os Infiltrados não é diferente. Nem lembro quais foram os outros indicados, mas com certeza Os Infiltrados não merecia a maior honra. É um bom filme, diria até excelente, mas se foi o melhor filme de 2006/2007, com certeza esse ano foi fraco!
Em resumo: o filme é muito bom, vale com certeza uma ida à locadora mais próxima e até juntar uma graninha para ter o DVD na estante! A trilha sonora chama a atenção de quem assiste, especialmente quando toca Gimme Shelter, dos Stones, e um rock misturado com música tradicional irlandesa, praticamente a música tema do filme. As atuações são excelentes, com destaque para a dos protagonistas, DiCaprio, Matt Damon, lembrando muito seu melhor papel, Tom Ripley, e o grande Jack Nicholson, como sempre, inspiradíssimo, além do Mark Whalberg e dos veteranos, Martin Sheen e Alec Baldwin, voltando para a tela grande em forma (de quibe!).
Se não bastasse todo o suspense empolgante que recheia a segunda metade do filme, o final é absurdamente surpreendente e espetacular!